A 33° edição do Festival de Inverno de Garanhuns presta homenagem a um dos maiores nomes da cultura popular nordestina: J. Borges. Xilogravurista, poeta e cordelista, José Francisco Borges nasceu em Bezerros e, ao longo de sua trajetória, transformou a madeira em poesia visual.

Reconhecido como Patrimônio Vivo de Pernambuco, J. Borges construiu uma carreira marcada pela originalidade. Suas xilogravuras retratam o cotidiano e a cultura do Nordeste brasileiro com focos em temas como sertão, a vida rural, lendas, folclores e festas populares. Sua arte foi além das feiras de cordel, chegando a exposições internacionais e museus pelo mundo, como o Louvre (França), o Museu de Arte Popular do Novo México (Santa Fé, EUA), o Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA, EUA) e Biblioteca do Congresso norte-americano (Washington, EUA), considerada a maior do mundo e que mantém uma coleção dedicada ao artista pernambucano.
Mais do que um artista consagrado, J. Borges foi também um homem de bom coração e apaixonado pela vida. “Além de artista, poeta, um bom pai e um bom amigo, ele era um ser humano sem igual”, declarou Pablo Borges, filho do artista, em entrevista recente. Pablo relembra ainda a paixão que o pai tinha por Garanhuns, considerava uma cidade organizada e de clima agradável. “Eu lembro que quando a gente tinha 18, 19 anos, ele disse: Pablo, está fazendo o quê? Se arruma aí, pega o carro e vamos almoçar fora. Entrava no carro e dizia: vamos pra Garanhuns. Chegava lá em Garanhuns ele fazia questão de passar na praça, ver as flores, apresentar pra gente (…).” Para ele, Garanhuns era uma das poucas cidades que cogitaria viver fora de Bezerro
J. Borges faleceu em 2024, aos 88 anos, deixando um grande legado para a cultura brasileira. Ao homenageá-lo, o FIG celebra um homem que caminhava com afeto e paixão pela sua terra. A obra de J. Borges segue viva inspirando gerações e reafirmando o valor da cultura popular como patrimônio do nosso povo.
